"Tenho certeza que os blogs serão para a literatura o que os campos de várzea foram para o nosso futebol. Parece pouco, mas pergunte onde é que todos os craques brasileiros começaram a jogar. E quem pensa que existe muita diferença entre escrever e bater bola, está redondamente enganado (sem trocadilho). Num jogo como outro, só se aprende suando a camisa." (Trecho de Paulo Markum citado por Mário Prata)

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Voar, voar, voar....

Voar, voar, voar...
...
Diversas estórias surgem com a fumaça e fogo.
Eram mulheres, crianças, grávidas, famílias inteiras, filhos, sobrinhos, netos, tios, avós, pais e mães.
Parentes de alguns, conhecidos de outros ou desconhecidos de muitos. Mas todos tinham uma estória.

A dor imensa. A tristeza enorme. O silêncio da perda. O olhar perdido no meio da multidão. Horas de angústia. A desilusão da esperança. As lágrimas derramadas. O abraço calado. O pesadelo real. A despedida inconsolável.

Pais esperavam a filha grávida chegar. O marido aguardava a esposa voltar de viagem.
O filho que nunca chegou. "Perdi a pessoa que era a minha referência.". Os 22 anos de casamento incompletos. A lembrança de uma mãe diferenciada e uma pessoa obstinada. Os sonhos não realizados: casamentos, filhos. Filhos sem pais. Filho de ministro. Deputado. Advogado. "Papai, eu te amo muito e obrigada pela viagem". Acabou-se o tricô. O fim da viagem sem chegada.

Eram 20 anos de experiência, mas foram poucos minutos para a incerteza e a dor surgirem.

Eu chorei.
E choro ainda quando escuto essas estórias.

Lamento.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

** Esses dias atrás... **

Abandonei caminhadas nas tardes de domingo...
Abandonei velhos amigos...
Abandonei aquele capuccino gelado...
Abandonei as conversas agradáveis....
Abandonei telefonemas....
Abandonei a criatividade...
Abandonei o livro que estava lendo...


Perdi a paciência...
Perdi a espontaneidade...
Perdi aquele momento simples...
Perdi todos os lançamentos no cinema...
Perdi vários fios de cabelo...
Perdi o sono durante a madrugada...

Ganhei sono durante o dia...
Ganhei alguns quilos...
Ganhei algumas rugas...
Ganhei dores nas costas...

Conheci novas pessoas...
Viajei...
Sumi..
Apareci...

Lamento que não cumpri minhas promessas...
Lamento que deixei o tempo passar...

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

** Para dentro de nós **

...(continuação)
Era por volta de 1997. Gostava de caminhar nas areias brancas de Porto Belo, o vento trazia o final do ano.
Seus pais viviam aos gritos, insultos e brigas; talvez por isso por outros tantos motivos, ela sempre deixava suas pegadas na areia. Mas quando olhava para trás, elas já não estavam mais lá.

Era filha única. Já havia feito curso de inglês e aula de yoga. Aprendeu tocar violino e desistiu de balé. Mas nunca aprendeu cuidar de si mesma.

As paredes do seu quarto ainda rosas denunciavam romantismo. Deixava sempre a janela aberta, dizia que assim o Sol podia entrar e lhe fazer companhia. No teto, perto do ventilador, adesivos brilhavam quando luz não mais havia. Na cabeceira, Rubens Fonseca, Sabino e Saint-Exupéry revezavam.

Muitas vezes, quando seus pais discutiam na sala, ela se trancava no quarto e deitada na cama, fechava os olhos e se perdia nos pensamentos.

Uma lágrima se desprendeu dos olhos e caiu no chão. Nessa hora, senti-me pequena.

Seus cabelos compridos desfilavam na beira mar. O verão trazia consigo o movimento, pessoas, toalhas, falas e palavras. O silêncio se calava nessa estação. E nesse silêncio, ela tropeçou.

Ele era uns 5 anos mais velho que ela. Era divertido, engraçado e se chamava Hugo. Saíram algumas vezes e já começaram a namorar. Viam-se várias por semana. Ele trabalhava perto da casa dela, algumas vezes almoçava com ela, algumas vezes levava gérberas.

Ela não estava mais sozinha. As caminhadas eram menos freqüentes. As brigas dos pais lhe incomodavam menos. Ela tinha certeza que ele era tudo que precisava.

As mãos, nesse momento, alcançaram o rosto e um soluço saiu tímido.

"Eu achava que sabia que ele era tudo para mim, e ai as coisas foram esquentando. Era minha primeira vez, sentia medo, nervosismo, ansiedade e vontade. Confiei cegamente nele."

Eu somente mordia os lábios e e balançava lentamente a cabeça.

Algumas semanas depois, ele raramente almoçava com ela, dizia estar ocupado e as gérberas nunca mais ocuparam o vaso do lado do sofá beze da sala. Os gritos dos pais pareciam ser mais altos, mais insultos.

Começaram dores no esôfago. Ele não a via mais, apenas algumas ligações. As caminhadas voltaram acompanhadas de lágrimas. As dores se tornaram mais fortes.

O Sol lhe incomodava e trancava-se no escuro do quarto. As estrelhinhas no teto a irritavam. Vieram febres nos finais da tarde. Mal-estar. Sentia o coração disparado. E o Hugo tinha desaparecido.

"Um dia, minha mãe achou estranho eu não sair do quarto, e quando eu fui acordar, estava deitada em uma enfermaria com as paredes verdes clarinhas, tomando soro. Os médicos fizeram alguns exames e uma biópsia de um carocinho que tinha no pescoço.
Minha mãe estava desconcertada. Passou tanto tempo que ela nem havia percebido.
Dias depois os resultados saíram. Chamaram meus pais. E quando eles voltaram, seus olhos eram tão tristes, opacos, e nunca havia visto os dois quietos."

Entre o último soluço, ela me disse baixinho:
" Eu estava com AIDS e a tuberculose já tomava meus pulmões!"


(Recomendo: Depois daquela Viagem - Diário de bordo de uma jovem que aprendeu a viver com AIDS. Valéria Piassa Polizzi. 18ª edição)

Domingo, Julho 09, 2006

**Para onde que vão os anjos?**

Era a primeira vez que eu estava ali. Senti uma ansiedade misturada com angústia e medo. ‘Como seria dali para frente, quando ultrapasse aquele portão?’, foi a pergunta que fiz q mim mesma.
O portão estava aberto. Havia um pátio grande, repleto de pedrinhas que forravam o chão. Em volta, grades repletas de plantas verdes e flores vermelhas.
Caminhei até uma sala, como se fosse ali uma coordenação do lugar, onde tinha gente me esperando. Enquanto me apresentava, observei a sala. Duas escrivaninhas dispostas em “L”, uma ocupada por uma mulher de cabelos escuros e curtos, e que vestia uma blusa vermelha berrante. Suas unhas também eram vermelhas. A secretária da outra mesa me atendeu e disse que poderia entrevistar os pacientes em uma outra sala.
Quando me virei para sair, avistei-a. Estava deitada no sofá, o qual estava encostado na outra parede perto da porta. Parecia uma adolescente, talvez com 15 ou 17 anos. Era magérrima, tinha braços e pernas compridas. Cabelo loiro escuro e curto.
Perguntei se podia entrevista-la. Olho-me com olhos tristes e com brilho opaco e disse que sim.
Fomos até a sala. Vi, nesse momento, que era muito mais magra que eu supus. Sua pele tinha cor de leite.
Sentamos uma à frente da outra. As perguntas eram simples e objetivas.
“- Quantos anos têm?
- ....27 (anos).”
Naquele momento, senti um espasmo dissipar sobre meu corpo, mas controlei-me. Ela parecia muito mais nova. Agora podia observa-la com mais cuidado e notar que seu rosto exibia algumas sardas. Seus olhos mexiam e evitavam cruzar com os meus.
“- Quanto tempo sabe que está doente?
- .....Uns oito anos.”
As palavras saiam meio tímidas da sua boca, seus dentes amarelados e tortos escondiam-se por trás dos lábios pálidos.
Ela parecia tão frágil. Vestia uma jaqueta jeans, que tentava disfarçar seus ossos saltados e uma calça azul mais escura.
Tossia algumas vezes e colocava sobre sua boca um lenço branco. Seus dedos finos e compridos mostravam algumas manchas.
“- Estado civil?
- Solteira.
- Profissão?
- Nenhuma.
- Escolaridade?
- Segundo grau completo....”
Meus pensamentos se confundiam entre as perguntas e respostas. Ela tinha somente 19 ou 20 anos quando o pesadelo começou. Estava com minha idade quando sua vida mudou para sempre.
Aquela doença estava controlada, mas a tuberculose havia se instalado e estava difícil de a controlar.
Tive medo nessa hora, ela ali tão perto de mim, tossindo. Seus gestos reprimidos e indecisos tornaram-se mais evidentes, quando ela percebeu que eu estava com medo. Talvez meus olhos estivessem exibindo esse medo.
Passei a mão sobre meu rosto, disfarçando a situação. Ela descruzou as finas pernas e se preparou para levantar. Foi aí que quis saber sua história.......
(continua....)

Sexta-feira, Junho 30, 2006

** Por que o Brasil é o país do futebol?**

Em tempos de Copa, não poderia ficar de fora!
Praticamente 24 horas de futebol na televisão, nas conversas, nas esquinas e até nas aulas!
Bom, isso me rendeu algum conhecimento futebolístico (agora eu sei o que é impedimento!)
Esse textículo abaixo aqui é uma adaptação de uma propaganda antiga.
Mas bem, vou lá ver mais um jogo! Um dia conto meus comentários futebolísticos!
:-)
Brasileiro vive futebol 24 horas por dia.
Aqui, discussão é bate-bola.
Se a garota passa e se insinua, deu bola.
Se o garoto chega para conferir e leva um fora, ele diz que deu na trave.
Mas, se nem vai conferir, é bola murcha murcha murrrrrcha.
Se a menina tem irmão, ninguém chega, tem beque na área.
Se alguém é bom de papo, é craque.
Quando alguém se dá bem, tá com a bola toda; agora, se é chato, é o empata.
Se alguém quer saber se alguma coisa vai dar certo, pergunta: Vai dar jogo?
Se a coisa não anda, fica no zero a zero. Mas se tuda dá certo, é um golaço!
Quando ele esquece a data de aniversário de namoro, é falta grave!
Se o amigo nem liga mais, você foi deixado para escanteio.
Entendeu porque o Brasil é, e sempre será, o país do futebol?

Segunda-feira, Junho 12, 2006

>>>> Seja como for.... <<<<

Então, hoje é dia dos namorados! Valia uma declaração aqui hein?!
......
Atá!

Não podia ficar de fora, já que todo mundo tá escrevendo sobre isso... tenho que dar minha contribuição (ou seria apenas mais uma maria-vai-com-as-outras?!)

Realmente, nunca tive problemas com esse dia, ao contrário que algumas amigas se lamentavam com a falta deles. Para mim, ainda continua sendo mais um dia comum. Com ou sem namorado mesmo!

E é sobre eles que eu queira falar.

É mais ou menos assim que começa: a gente não escolhe por quem se apaixona e quando se apaixonar. É tipo uma dor de barriga. De repente, algo que comeu (nada de duplo sentido!!!) deu aquela dor. Não tem como esperar, ela vem e ninguém segura.

Ah, mas isso não é nada romântico!

Quando você quer se apaixonar, aí é que ninguém aparece para cobrir aquela carência. E quando tá sossegado, já sabe, né? Isso respeita a lei da improbabilidade.
A vida é assim mesmo, cheio de altos e baixos. Alguns morenos, sensuais, inteligentes e tolos. Sempre tem um bobo. E você logo se apaixona pelo baixinho estranho. O inconquistável.
E não adianta fugir. Você passa por 3 fases fundamentais:
1ª) Fase da Negação: "Claro que não estou apaixonada pelo Odair...". E faz aquela cara de nojo.
2ª) Fase da Incerteza: "Será que estou mesma apaixonada?!"
3ª) Fase da Maximização: "Ele é o mais legal, mais divertido, mais.... mais.... mais...."
Você chega a um ponto de achar ele um deus.

Aí já era! Está apaixonada a ponto de fazer tudo. Mandar cartas anônimas, fingir encontros, começar o curso de Mandarim só por causa dele. Por mais que pense e ache que não há cura, senão ficar com ele; tem sim: o tempo é o melhor remédio. Amor platônico é para ser, literalmente, platônico e nada mais.

Amores platônicos são para adolescentes. E ficam somente na memória, para serem contadas e não revividas!

Há milhares de amores possíveis e felicidades possíveis. Amores e felicidade reais.

Boa semana! E rumo ao Hexaaaaa!
:)

** No radinho: Peito Aberto - Kid Abelha**

Sábado, Junho 10, 2006

Lá no fundo da gaveta.....

Abandonei meu filhote por uns tempos, mas prometo que voltarei a ativa. Pelo menos uma vez por semana, estarei aqui!

Tenho uma novidade: serei titia. Minha 'irmãe' ficou grávida. Logo, apresentarei André Otávio para vocês. E pode crer que isso tudo vai gerar algumas histórias. Com certeza!

Então, há dias estou tentando rascunhar algo na minha cabeça, mas as idéias fluem até um ponto. E dali pra frente, empacam.
Hoje não.

Estive lendo uns textos perdidos nas minhas pastas, algumas folhas amarelas de diários, cartas, e-mails, bilhetinhos.

"Às vezes, me perco na imensidão da sua boca... perco meu controle..... você pressiona seu corpo sobre o meu, me inclina sobre a mesa... me prende entre seus braços... assim não vou embora, não vou embora sem você.
Levo um pouquinho de você comigo, e deixo um pouquinho de mim em você... Como se parte de mim fosse de você... ou fosse você.
Às vezes me esqueço do mundo... me liberto daqueles pensamentos tolos e esqueço aquelas bestas preocupações... deixo que seus olhos invadam os meus....
Finjo que a partir daquela porta não existe mais nada, que o mundo acaba ali mesmo...
Às vezes, os ponteiros do relógio parecem meus inimigos, corem atrás das horas... um minuto não correspondem a 60 segundos quando estou contigo...
Às vezes (será mesmo que é só às vezes?!) não resisto a você...
Às vezes perco meu controle...fico cada vez mais louca por você... confudo a razão com a fantasia......"